Porque é que Israel bombardearia uma Universidade? criar PDF versão para impressão
06-Jan-2009

Destruições em GazaSou bolseiro da Fundação Fulbright e professor de literatura norte-americana na Universidade Islâmica de Gaza (UIG). Nessa condição, preferi sempre não falar sobre o conflito Israel-Palestina. Sempre entendi que o meu dever era ensinar os valores da paz e da coexistência pacífica. No entanto, o ataque massivo de Israel contra a Faixa de Gaza obrigou-me a falar.

Texto de Akram Habeeb, traduzido e publicado por Informação Alternativa.

Ontem à noite, durante a segunda noite dos ataques sem precedentes de Israel a Gaza, fui acordado pelo ruído ensurdecedor de bombardeamentos intensos. Quando vi que Israel tinha bombardeado a minha universidade, com F-16 fabricados nos EUA, percebi que os "ataques selectivos" já tinham passado à história. Claro que os políticos de Israel e os seus generais dirão que a UIG é um bastião do Hamas e que defende o terrorismo.

Como professor independente, não afiliado em nenhum partido, eu posso afirmar que a UIG é uma instituição académica que abarca um largo espectro de afinidades políticas. Eu vejo-a como uma universidade prestigiada que encoraja o liberalismo e o pensamento livre. Este ponto de vista pessoal pode parecer enviesado; por isso, eu gostaria de convidar quem duvide das minhas afirmações a pesquisarem a sua história na página da internet da UIG. Irão ficar a saber da sua participação em várias instituições académicas internacionais, o papel activo que os seus professores desempenham na investigação académica, bem como prémios e bolsas de investigação que receberam.

Porque é que Israel bombardearia uma Universidade? Israel não bombardeou apenas a minha universidade na última noite. Também bombardeou mesquitas, farmácias e casas. No campo de refugiados de Jabaliya, as bombas israelitas mataram quatro meninas, irmãs, da família Balousha. Em Rafah mataram três irmãos, de 6, 12 e 14 anos. Também mataram uma mãe, juntamente com o seu filho de 1 ano, da família Kishko, na cidade de Gaza.

Estes actos fizeram-me reflectir nalguns dos mandamentos dados por Deus ao "Povo Eleito": Não matarás. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Ninguém poderia ser eleito por Deus para anexar a terra de outras pessoas e as matar. Israel fez ele próprio essas escolhas éticas. Israel escolheu ele próprio embarcar em guerras para eliminar o povo autóctone da Palestina.

Fonte: Electronic Intifada

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