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15-Nov-2006
AQUECIMENTO GLOBAL VAI SER CATASTRÓFICO
katrinaEspecialistas prevêem que as ameaças climáticas podem custar até 1 bilião de dólares (cerca de 780 mil milhões de euros) por ano a partir de 2040, refere um estudo hoje apresentado na 12ª Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas, em Nairobi.
Face à dimensão previsível dos estragos, os especialistas da ONU apelaram à criação de meios destinados a garantir protecção às nações mais pobres, numa altura em que as políticas de segurança estão voltadas, sobretudo, para os países desenvolvidos. O antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan alertou, hoje, no encerramento da Cimeira de Nairobi que estamos a "atingir um ponto de não retorno" nas alterações climáticas do nosso planeta.    

«Daqui a 30 anos, o custo das alterações climáticas e os riscos ligados às secas, inundações e furacões poderão superar 1 bilião de dólares por ano», disse Achim Steiner, director-executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), apresentando um estudo realizado pela agência Anglug Consulting com o PNUA e dezenas de instituições internacionais, financeiras, bancárias e de seguros.
Falando acerca do aquecimento global,especialistas do sector dos seguros foram premptórios: «a subida de cada grau centígrado pode elevar os custos em 2 biliões de dólares para a economia mundial», garantiu Tomas Loster da Fundação Munich Re, gigante alemã do sector de seguros, acrescentando tratar-se «do pior cenário possível, um entre outros, mas baseado em factos e tendências dos últimos anos».
O furacão Katrina, que atingiu Nova Orleães em 2005, o primeiro desastre causado pelo clima a gerar deslocações nos EUA, custou mais de 120 mil milhões de dólares à economia. Tratou-se de um facto isolado em apenas um ponto do globo, e mesmo assim poupou os bairros mais ricos da cidade, lembraram os especialistas.
«Não ocorrem todos os anos alguns Katrinas, mas no ano passado as perdas económicas com desastres naturais totalizaram 210 mil milhões de dólares (cerca de euros 164 mil milhões de euros», disse Loster.
Face a estas perspectivas, os representantes da Munich Re e do PNUE pediram aos delegados presentes na conferência que «considerem muito seriamente a questão do financiamento» dos prejuízos causados por mudanças climáticas.

O antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan encerrou a Conferência das Alterações Climáticas de Nairobi, dizendo que o aquecimento global não é ficção científica. "A mudança climática não é só um asunto ambiental,como muitos acreditam: destruirá colheitas, colocará em perigo populações costeiras, alastrará doenças como a malária e a febre amarela e aumentará os conflitos pelos recursos", garantiu Kofi Annan que alertou que "estamos a chegar a um ponto de não retorno" para o nosso planeta.

De acordo com o director da entidade da ONU responsável pelo clima, Yvo de Boer, foi por fim alcançado um acordo em Nairobi sobre a gestão dos fundos de adaptação, previstos pelo protocolo de Quioto para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar o aquecimento global. No entanto, aquele fundo conta por enquanto com apenas 3 milhões de dólares. Loester insistiu em que «é preciso envolver o sector privado de seguros, que deve propor novos produtos, bem como a comunidade dos doadores. «Agir de maneira preventiva e não reactiva», sublinhou.


 
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