Quantos mais terão de sair à rua?
22-Mar-2009

Atingida a capacidade de mobilização de uma mole humana nunca antes observada em acções de protesto na rua, ocupando surpreendentemente e literalmente a Avenida da Liberdade em Lisboa, como voltou acontecer no dia 13 de Março através do apelo da CGTP, agora por trabalhadores de vários sectores de actividade e em que se destacou o sector público em geral, que mais tem sentido a afronta impiedosa das medidas governamentais, que já antes levaram também os professores a repetirem a proeza através de extraordinárias mobilizações de descontentamento.

Como pode o primeiro-ministro José Sócrates desvalorizar tanta inquietação e indignação junta e, numa simplista análise social e política, concluir que tal se deve à instrumentalização de partidos, como que se os partidos fossem donos dos eleitores e do seu voto e estes não tivessem vontade e opinião própria.

Esta é uma lógica deturpada do exercício de cidadania sobre a utilização do voto, a que não será certamente estranho o facto de estarmos num ano em que as principais vítimas, espoliadas e deserdadas das políticas neoliberais. Os desempregados, os humilhados com tanta indignidade e ofensa aos seus direitos, alguns elementares e conquistados com muita luta ao longo do ultimo século, podem em vários actos eleitorais, utilizar em consciência, uma "arma" que poderá decididamente contrariar o absolutismo de maiorias absolutas, que estão a fazer transbordar para a rua uma gigantesca onda de descontentamento, "instrumentalizado" sim pelas politicas do Governo.

Se para o Governo "nada se passou" e nada faz mudar ou inflectir o rumo da sua politica, quantos mais terão de sair á rua, perguntar-se-á, ou que outras formas de luta serão necessárias para os que sempre acabam por pagar a crise, se façam ouvir? Esta será a dúvida desesperada e para muitos, angustiante de tanta falta de respeito para com um povo em pleno exercício do seu direito à indignação, que só pode continuar neste caminho de luta pelos meios e poderes democráticos, que precisam de ser mais exercitados e defendidos através da participação activa dos trabalhadores.

José Lopes (Ovar)

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