Descartar responsabilidades é de pouca coerência
24-Mar-2009

Na recente entrevista da Ministra das Educação ao JN (16/03/2009) a questão das eventuais penalizações aos docentes que não entregaram os seus Objectivos Individuais, ajudou a mostrar a verdadeira realidade da força actual de Maria de Lurdes Rodrigues, quando se descarta de responsabilidades e coloca de forma pouco coerente (ou talvez não) a decisão difícil e inaceitável nas mãos dos presidentes dos conselhos executivos ou dos directores já em funções.

É que desta forma, a Ministra procura escapar a mais um embate de consequências imprevisíveis, incluindo jurídicas, que só contribuiria para agravar ainda mais o difícil ambiente em meio escolar. Ao mesmo tempo, com tal "poder" dado aos PCE para castigarem os seus colegas nas escolas, a opção foi mais uma vez, simplificar e atenuar a polémica em torno da Avaliação, porque sabe que só mesmo os mais seguidistas e carreiristas se vão atrever, talvez para um protagonismo promissor de fidelidade ao líder partidário, a exercer qualquer poder disciplinar a quem resistiu com coragem a toda a pressão exercida neste processo da Avaliação que a Ministra insiste de que é um dado adquirido.

Toda uma encenação, quando é também de bom senso, os actuais PCE e futuros candidatos a directores, por razões mais do que obvias na captação dos necessários apoios, não se meterem em tais alhadas, nem na "fogueira" que aos olhos da opinião pública parecem terem sido metidos por tais declarações, em que o tom de firmeza e profunda convicção da justeza das políticas seguidas já lá vai. Pelo menos até uma nova conjuntura política resultante de um ano eleitoral, com que sonham ver renovado o ambicionado poder de legitimar a lógica governativa com que vêm fustigando quem cinicamente olham como tendo memória curta.

José Lopes (Ovar)

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