Será melhor fazer de conta na educação?
01-Abr-2009

O sinal está dado ás comunidades educativas. Quem não obedece docilmente, pode ter a sentença da demissão, a exemplo dos recentes acontecimentos que levaram à demissão do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre nas Caldas da Rainha, na sequência de não ter adoptado os procedimentos previstos na legislação, como a eleição do Conselho Geral Transitório, responsável em lei para implementar o novo modelo de gestão, assim como o desenvolvimento do processo de avaliação em que cada vez mais, só se revê a equipa do Ministério da Educação.

Artigo do nosso leitor José Lopes

Não interessa se o processo da avaliação está a meio gás ou se as escolas vão fazendo de conta que tudo corre bem, quando a realidade se traduz num verdadeiro embuste que dividiu os docentes, as comunidades escolares e não há exemplos representativos de uma avaliação séria e promotora de melhor qualidade no ensino.

Para quem teve a coragem, a frontalidade e a dignidade de poupar a sua comunidade escolar às "guerrilhas" sobre o modelo de avaliação imposto, bem como o de gestão, que se está tornar numa nova fase de divisão e sobretudo luta de poder, a resposta afrontosa aí está, por parte dos governantes, que querem mostrar, que não aceitam atrevimentos de autonomia, que ponham em causa a lógica da obediência cega ás orientações superiores.

Ou seja, o que conta não é o exemplo de uma escola que funcione bem, que os alunos tenham sucesso real e não apenas estatístico.

Com tais afrontas ás comunidades escolares o M.E. atreve-se a incendiar de novo as escolas e fomentar a instabilidade no final de mais um ano lectivo, sem apaziguamento, nem serenidade para se pensar no próximo, que começa a ficar já marcado pela política do quero posso e mando, por mais incompetência que se produza nos gabinetes, bem longe da realidade e mesmo de escolas modelo que exemplarmente procuram escapar à normalização das medidas burocráticas e centralistas.

José Lopes (Ovar)

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