Civil G8

REIVINDICAÇÕES DA "SOCIEDADE CIVIL" gaia
Cerca de 600 representantes de organizações não governamentais participaram no Fórum Civil G8 em Moscovo, entre os quais três membros do GAIA, um deles Gualter Baptista falou ao Esquerda sobre as principais conclusões deste encontro, que discutiu com o Presidente Russo, Vladimir Putin, a agenda da cimeira do G8.  

As principais conclusões apresentadas ao governo Russo pelas centenas de activistas que se reuniram em Moscovo no "Civil G8" foram a necessidade de serem respeitados os direitos humanos nos conflitos da Chechénia e do Iraque, que seja imposta uma moratória aos organismo geneticamente modificados, que a venda de petróleo tenha uma taxa ecológica utilizada para combater os efeitos do aquecimento global, que os países ricos do G8 se comprometam a doar anualmente 10 mil milhões de dólares a planos de apoio aos países pobres e que sejam reformadas de uma forma democrática instituições como a OMC e o Banco Mundial.
Para Gualter Baptista, coordenador da campanha contra os transgénicos do GAIA, “foi muito significativa a atitude do governo russo, ao promover e patrocinar este encontro”. Para o ambientalista português, “é obvio que há uma certa preocupação das autoridades russas em combater a ideia que a Rússia é um país que não é democrático, mas é inegável que as conclusões deste encontro são muito interessantes”.
Durante o encontro entre Putin e o Civil G8, o Presidente Russo discutiu as conclusões do encontro e comprometeu-se a combater os organismos geneticamente modificados e a lógica que coloca a ideia de “livre comercio” como mais importante que os direitos do consumidor. Após a apresentação dos problemas pelo coordenador da campanha contra os OGM da Greenpeace, Geert Ritsema, o Presidente Russo reagiu com agrado, dando um sinal de apoio a uma das principais reivindicações dos ecologistas – a de que os países e regiões devem ter o direito a decidir sobre o cultivo de transgénicos. “Estou feliz por discutir este tema convosco. A Rússia irá a manter a sua determinação de livre escolha no que respeita à questão dos OGM”, afirmou Vladimir Putin. Para Gualter Barbas Baptista, coordenador da campanha contra os transgénicos do GAIA, este documento “reflecte as preocupações da sociedade civil sobre a contaminação genética que se verifica um pouco por todo o mundo, sem que haja um adequado controlo ou monitorização. Portugal, em particular, já tem cultivos comerciais de milho transgénico, mas não sabemos onde se situam, o que estão a contaminar e de que forma estão aprejudicar os agricultores que continuam a rejeitar os cultivos
geneticamente modificados”, concluiu o dirigente do GAIA.
O grupo de trabalho sobre segurança energética marcou ainda uma oposição clara à energia nuclear, exigindo, agora que se comemora o 20º aniversário de Chernobyl, o fim da construção de novos reactores nucleares. Durante a resposta do presidente Putin, que defendeu a manutenção da energia atómica, alguns activistas russos, colocaram-se de pé nas cadeiras, exibindo camisolas a dizer “Não ao Nuclear” em russo.
Sobre a Chechénia Putin registou a defesa dos direitos humanos, mas tentou evitar a questão, dizendo ser um assunto interno da Rússia.