A situação do espanhol
15-Out-2009

A portaria de Março de 2009 , em que foi permitido a professores de outros grupos de recrutamento leccionarem o espanhol desde que tirassem o DELE, curso esse ministrado no Instituto Cervantes em seis meses, levou a que muitos docentes licenciados em espanhol passassem por uma situação de grande instabilidade.

Nas listas para o concurso de quatro anos, no grupo de espanhol, aparecem docentes de diversas proveniências desde educação primária, passando pelo segundo ciclo dos grupos 200 e 210 e do 3ºciclo com Português (grupo 300) , Inglês (grupo 330), Francês (grupo 320) e Alemão (grupo 340) atirando os verdadeiros professores de espanhol para a precariedade. Assim sendo, com esta portaria, esses professores não sendo da área do espanhol, conseguiram colocação por quatro anos. Outra situação de tremenda injustiça é valorizar os cursos à Bolonha de três anos , mais dois de mestrado em detrimento das antigas licenciaturas de línguas e literaturas modernas de estudos espanhóis.

Sou licenciado em línguas e literaturas modernas de estudos franceses e espanhóis, o ano passado fiquei colocado no concurso nacional de final de Agosto, tive nove turmas, com um total de duzentos e quinze alunos e este ano estive vinte e um dias no desemprego. De momento estou com horário incompleto e faço diariamente cento e quarenta quilómetros  para trabalhar. Concorri por  oferta de escola e apesar da muita oferta de horários , os professores de espanhol com pouca ou nenhuma experiência na docência dessa língua apareceram quase por magia, profissionalizados e com tempo de serviço. Estranhamente, na página web do ministério da educação, na parte da DGRH (direcção geral de recursos humanos) em Bolsa de Recrutamento /Oferta de escola, algumas funcionalidades não estão a funcionar , nomeadamente nos ícones CONTRATOS (consultar- denunciar) e BOLSA (colocados- não colocados).

As próprias escolas, através dos seus sítios na Internet, deveriam dar a conhecer aos opositores a concurso de oferta de escola, as listas de colocação. É tudo uma questão de transparência e apesar dos meus correios electrónicos pedindo a divulgação das listas, foram muito poucas as que  acederam ao meu pedido.

Artigo de um leitor do esquerda.net

{easycomments}