Taxa sobre lucros da banca assusta governo francês
26-Out-2009
Deputados aprovaram mesmo uma contribuição da banca de 100 milhões para reforçar a supervisão. Foto caribb/FlickrA Comissão de Finanças do parlamento francês aprovou uma taxa adicional de 10% sobre os lucros da banca. Horas depois, face à pressão do governo, dois deputados da maioria acabaram por dizer que se tinham enganado no botão, o que inviabilizou a medida.

 

O rocambolesco episódio aconteceu na passada sexta-feira. O socialista que preside à Comissão Parlamentar de Finanças propôs uma taxa adicional de 10% sobre os lucros da banca em 2010, uma forma, segundo Didier Migaud, da banca devolver ao Estado o apoio que teve no pico da crise.

"O Estado assumiu o papel de garantia em último recurso durante a crise bancária do Outono de 2009, é normal que receba a contrapartida desta cobertura excepcional, em benefício do interesse geral", defendeu o presidente da Comissão.

A oposição a esta proposta foi encabeçada pela ministra da Economia. "Acrescentar mais dez pontos ao imposto dos bancos em 2010 por causa dos resultados de 2009 é fazer os bancos pagar pelo passado, é fazê-los pagar imaginado que os bancos franceses cometeram erros. Mas eles não cometeram erros", argumentou Christine Lagarde.

Após a proposta ter passado na Comissão, soaram as campainhas de alarme no estado-maior da UMP, partido que apoia o governo. Um deputado de Paris veio dizer mais tarde que queria votar contra e acabou por votar a favor, e que tinha feito o mesmo com o voto de um colega que lhe tinha entregue procuração. De 44-40, a votação passou para 42-42 e portanto acabou chumbada a proposta do deputado socialista. No PS não faltaram críticas à posição do deputado Jean-François Lamour, que foi inclusive confrontado com a sua intervenção favorável à proposta de Didier Migaud.

Na mesma sessão foi aprovada por unanimidade, por iniciativa da ministra a Economia, uma contribuição da banca francesa de 100 milhões de euros anuais destinada a reforçar os meios de supervisão financeira do banco central.

{easycomments}