Nós temos um papel...
16-Nov-2009

"Mas se todo o Mundo é composto de mudança, troquemos-lhes as voltas que o dia ainda é uma criança" diria uma voz conhecida. As crises do capitalismo surgem sempre como grandes situações para mudança de mentalidade e de oportunidade para novos rumos.

Artigo do nosso leitor Nuno Moniz

O Bloco tem tido em Portugal, durante esta crise internacional, um papel inegável no conflito de ideias e disseminação de consciência que este sistema económico que nos rege não é justo. Para quem? Para quem não ganha milhões com ele ao galope da ganância e do seu próprio crescimento continuado. Quem são? Muitos estarão entre os que fizeram milhões durante (e com?) a crise. Este não parece ser um ponto decisivo de viragem para a opinião geral de que melhor é possível, e que todos nós podemos e temos um contributo crucial a dar dando lugar à acção. Não obstante, assiste-se a um maior conflito com o capitalismo. Embora esta seja uma das crises mais graves, senão a mais grave, dos últimos cem anos, a verdade é que o capitalismo aprende com os seus erros e sabe, com cada vez melhor, como "dar a volta" para que o disco continue a tocar ao ritmo que nos é imposto para o "jogo" da acumulação continuar.

Embora tudo isto pareça real, não invalida o papel que é possível que cada pessoa tenha numa mudança concreta. Encontra-se momentaneamente entre os jovens um clima de despoletação de discussão à volta desta crise o que por sua vez leva à discussão da sua origem, dos seus sintomas, das suas demonstrações de poder e de astúcia e, mais importante, de como ela nos afecta na nossa realidade. Por isso, diria que temos um papel fundamental para o agora: Ir a todo o lado. Escutar e rebater. Debater, discutir.

Ao longo deste último ano em Coimbra muita discussão houve à volta da questão da Acção Social e do Ensino Superior em geral em que cheguei a assistir a uma tentativa em Assembleia Magna da Académica de Coimbra, da marcação de uma manifestação nacional. Na altura não aconteceu, agora aconteceu. Os alunos decidiram, está decidido. Dia 17 de Novembro muitos estudantes do Ensino Superior sairão à rua. É a minha esperança, mas também convicção. Depois de ao longo dos últimos anos o Superior ter sido alvo de um dos maiores ataques economicistas e elitistas à sombra do consenso europeu criado sobre o que será o Ensino Superior, os estudantes têm uma oportunidade, próxima de decisões importantes do novo Governo, para criticar e justamente pedir mais de um sistema educacional que é moldado segundo critérios de sustentabilidade. Sustentabilidade económica, não sustentabilidade do saber e pensar de cada um dos alunos do Superior. Sustentabilidade das Universidades mas não dos bolsos de quem não tem possibilidade de pagar propinas e os custos associados ao Ensino Superior empurrando-lhes para empréstimos sufocantes. Sustentabilidade da divisão entre quem pode e quem não pode mas não de quem quer e quem sonha. Dia 17 não estarei em Portugal mas este será o meu pensamento tanto agora como dia 17: "Que se lixe a sustentabilidade. Eu quero que todos possam aprender a pensar e não só para trabalhar.". A bola da mudança está do nosso lado desta vez. De nós o que depende? Bem... "Tudo depende da bala e da pontaria".

Nuno Moniz

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