Alternativas à crise ?
30-Nov-2009

Como a crise continua e as perspectivas de luz ao fundo do túnel são ainda muitíssimo ténues, tão ténues que nem se vislumbram, é necessário encontrar formas de procurar minimizar os problemas resultantes, nomeadamente, das centenas de milhares de desempregados.

Artigo do nosso leitor José Ferreira dos Santos

Evidentemente que é necessário alargar o âmbito do subsidio de desemprego àqueles que se encontram efectivamente sem trabalho.

Evidentemente que é indispensável assegurar a sobrevivência dos trabalhadores , a quem a crise, criada pelo capital financeiro na sua deriva de casino, deixou sem acesso ao trabalho.

Não partilhamos a opinião dos que consideram que quem está inscrito nos centros de emprego, não quer trabalhar e vive de subsídios, por sua livre iniciativa.

Nem daqueles para quem os que os subsídios, visando a reinserção social, criam, apenas, maus hábitos e falta de vontade de trabalhar, como de forma populista e mentirosa é afirmado por "políticos" que melhor fariam em explicar as situações de financiamentos "estranhos" e de corrupção em aquisições em que se encontram mergulhados.

Em Portugal, vivemos em crise há muitos anos e até começa a ser redundante falar em crise. Seria melhor pensar em ultrapassar as barreiras que se nos apresentam e agarrar o futuro nas nossas próprias mãos .

Em Matosinhos, apesar das afirmações "oficiais" em contrário, temos um aumento do desemprego equivalente ao do resto do país.

Dos nossos contactos com as populações apercebemo-nos de que com alguns pequenos investimentos seria possível criar postos de trabalho duradouros e produtivos.

Torna-se necessário estimular e apoiar a energia criativa das pessoas.

A chamada economia social pode constituir uma saída válida para o desemprego, encarada de forma séria e sempre apoiada tecnicamente para ter viabilidade.

A constituição de cooperativas de prestação dos mais diversos serviços que possam facilitar a vida aos que exercem uma profissão como seja: serviços domésticos, acompanhamento de idosos nas suas casas, fornecimento de refeições em cantinas , entre outros carecem de alguma formação e de investimento não muito vultuoso.

Mesmo no caso de algumas empresas que entram em falência e que os trabalhadores consideram viáveis seria de encarar a possibilidade de, com apoio técnico eficiente, e algum investimento de as transformar em cooperativas.

Porquê não? Os custos sociais não serão maiores com estas pessoas desempregadas?

A situação das pescas é reconhecida como calamitosa. Os barcos que tinham alguma viabilidade para assegurar as capturas no alto mar foram desactivados e os armadores receberam os respectivos subsídios. Em troca, apareceram os pequenos barcos de pesca artesanal, com motores a gasolina, que tornam as idas ao mar caras e extremamente perigosas, pela precariedade das embarcações .

Por outro lado as vendas, em lota, do pescado capturado não corresponde ao mínimo do valor que justifique o trabalho, no entanto a venda ao público não deixa de ser muitíssimo superior. Sabe-se que, por vezes, em 200 metros de distância entre a lota e o comprador, o preço do pescado quadruplica. Quem embolsa este lucro?

Sabemos que os pescadores nunca foram muito incentivados a criar condições para que a distribuição do pescado lhes pertencesse. A exemplo do que acontece em tantas zonas da vizinha Galiza seria de começar a pensar em assegurar a venda do pescado pelas organizações dos próprios pescadores. Para tal é necessário formação, apoio técnico e algum investimento e o estabelecimento de rede de contacto com aqueles que praticam essa forma de trabalho.

Medidas simples ou complexas como estas, acompanhadas de melhoria nas condições de segurança, como o tão prometido porto de abrigo em Angeiras, poderiam incentivar muitos jovens a procurar esta alternativa de trabalho.

Ouçamos os interessados e estamos crentes de que encontraríamos formas de reactivar as pescas dando aos pescadores possibilidades de uma vida mais digna e de um futuro mais promissor.

O nosso papel deverá ser o de tentar fazer chegar estas e outras propostas a quem as quiser ouvir. As únicas promessas são as de nos mantermos abertos a todos os debates em torno destas questões.

O que não é admissível é continuar com recursos desaproveitados e mantendo uma atitude passiva e de lamúrias.

José Ferreira dos Santos, Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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