Morreu Howard Zinn
28-Jan-2010
Howard Zinn, militante e historiadorHistoriador e activista político norte-americano tinha 87 anos de uma vida cheia de lutas. A sua "História do Povo americano" vendeu mais de um milhão de exemplares nos EUA.

A "História do Povo americano", de Howard Zinn, foi publicada em 1980 com pouca promoção e uma tiragem de apenas 5 mil exemplares e transformou-se num best-seller, cujas vendas atingiram o milhão de exemplares em 2003. Com mais de 700 páginas, a obra, que lamentavelmente nunca foi traduzida para português, relata a história dos Estados Unidos, desde 1492, assumidamente do ponto de vista das "mulheres americanas, dos trabalhadores fabris, dos afro-americanos, dos americanos nativos, dos trabalhadores pobres, dos imigrantes".

Sem meias palavras, Zinn acusa Cristóvão Colombo de genocídio e destaca heróis esquecidos pela história oficial: trabalhadores, feministas e resistentes à guerra. "O professor Zinn escreve com um entusiasmo raramente encontrado na prosa da história académica, e o seu texto está repleto de citações de líderes operários, resistentes à guerra e de escravos fugitivos", escreveu Eric Foner, do New York Times Book Review sobre esta obra vibrante.

Numa entrevista dada em 1998, Zinn afirmou que não queria escrever uma história objectiva ou uma história completa. Ele considerou o seu livro uma resposta aos trabalhos tradicionais, o primeiro capítulo, não o último, de um novo tipo de história.

"Não existe isso de história completa: toda a história é incompleta", disse Zinn nessa entrevista. "A minha ideia era que o ponto de vista ortodoxo já tinha sido apresentado milhares de vezes."

A "História do Povo americano" tem muitos admiradores, entre eles os actores Matt Damon e Ben Affleck, que o introduziram no guião do seu filme "Good Will Hunting." O CD "Nebraska" de Bruce Springsteen é parcialmente inspirado na obra, que até apareceu nos Sopranos, nas mãos de AJ, filho de Tony.

Nascido em Nova York em 1922, Howard Zinn era filho de imigrantes judeus e sofreu desde cedo a influência dos romances de Dickens. Aos 17 anos participou de uma manifestação política convocada pelos comunistas que foi violentamente reprimida. Participou na II Guerra Mundial na força aérea para combater os nazis, ganhou uma medalha, mas, quando voltou, embrulhou-a e escreveu no papel: "Nunca mais".

Doutorou-se em história pela Universidade de Colúmbia, mas a sua vida académica, como professor,sempre esteve ligada às diversas lutas - pelos direitos civis, contra a guerra do Vietname, entre outras.

Aposentou-se em 1988, e passou os últimos dias de trabalho num piquete de greve, junto com os seus alunos, em apoio à greve das enfermeiras do campus.

Além de obras de história, Zinn também foi dramaturgo, sendo autor de três peças de teatro. A sua mulher de toda a vida, Roslyn, dramaturga, morrera em 2008. O casal teve dois filhos.

O Esquerda.net presta a sua homenagem ao grande historiador e militante, e em breve publicaremos um dos seus últimos trabalhos, um artigo sobre o primeiro ano de Obama.

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Prémios de Guerra e Paz

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Vai ser preciso um movimento social renovado para empurrar Obama

Sacco e Vanzetti por Howard Zinn   

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