Governabilidade, ou… a imposição do fatalismo?
14-Dez-2009

Mariana AivecaA dramatização era esperada e José Sócrates tem-se na conta de "bom actor". A ameaça da ingovernabilidade a troco da qual se pretende impor como fatalidade o modelo neoliberal, também não é coisa que nos surpreenda pois o filme já tinha "guião".

Logo após as eleições para o parlamento europeu, se constatou que uma nova obsessão assolou os partidos da alternância governativa. PS e PSD elegeram como inimigo principal o Bloco de Esquerda e o seu programa.

Importa pois reflectir as causas de tão feroz ataque, porque creio que aí encontraremos as respostas ao melodrama então iniciado e, que teve mais um momento alto no discurso de José Sócrates perante os militantes socialistas este fim-de-semana.

O ataque ao Bloco de Esquerda e ao seu programa, tem origem no terror que os partidos do centrão têm numa alternativa governativa que:

- Imponha participação democrática;

- Que defenda justiça na economia, logo, um Estado Social à altura de responder ás dificuldades dos desempregados, dos pensionistas de todas as exclusões e discriminações;

- Que tenha "mão pesada" com os predadores desse mesmo Estado;

- Que defenda a saída da Nato e se oponha ao tratado de Lisboa;

- Que se oponha ao abuso do poder;

O ataque ao Bloco de Esquerda reside na dificuldade que o PS tem em fazer-se passar por socialista. Foram as políticas que desenvolveu, nomeadamente enquanto deteve a maioria absoluta, que agravaram a sua própria crise de identidade.

Do que o PS tem razões para se queixar é da irresponsabilidade de quem, assumindo as dores de parto da alta finança, se colocou incondicionalmente ao seu lado.

Do que o PS tem razões para se queixar é da subjugação à onda neoliberal internacional de quem se assume parceiro privilegiado.

O Bloco de Esquerda assumirá as suas responsabilidades? Pois claro! Honraremos os compromissos com tantos e tantos milhares de homens mulheres que acreditam nesta força e na sua capacidade transformadora.

Que governabilidade queremos? - A da NÃO imposição do fatalismo de que esta terra só poderá ser governada por esse dono dum regime que oprime sempre os mesmos "os de baixo". Esta será a resposta que se impõe ao dramatismo exacerbado de José Sócrates.

Mariana Aiveca

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