Relatório sobre arroz aponta alternativas aos transgénicos
20-Abr-2007

arroz_experienciasTecnologias novas, ambientalmente sustentáveis e de consumo amigável tornam a imprecisa engenharia genética obsoleta e desnecessária, afirma o relatório "Futuro do Arroz" lançado pelo Greenpeace. Ao destacar um futuro ambientalmente sustentável para o alimento básico mais importante do mundo, o relatório desmascara o mito de que as empresas de engenharia genética como a Monsanto podem assegurar o futuro do arroz. No lançamento do relatório, o Greenpeace ganhou a adesão de fazendeiros indianos que protestavam contra campos de testes de engenharia genética na Índia e exigiu o fim de tais campos para proteger o futuro e a segurança das provisões de alimentos em todo o mundo.
Veja o resumo do relatório em português.
Veja o relatório completo em inglês.

 

O relatório revela a riqueza de soluções encontradas por fazendeiros e cientistas para melhorar a produção de arroz e aumentar a renda dos produtores pelo uso de tecnologias como a selecção assistida por marcador molecular (MAS na sigla em inglês - ‘marker assisted selection').

"Este ano vimos a contaminação de provisões globais de arroz - o alimento básico mais importante do mundo - por variedades ilegais de arroz geneticamente modificado dos Estados Unidos e da China", afirmou Divya Raghunandan, da campanha de transgénicos do Greenpeace Índia. "Não é preciso mais provas de que as plantações transgénicas são perigosas e não podem ser contidas. O relatório mostra que não há necessidade de nos arriscarmos com os transgénicos - soluções para os problemas da produção de arroz existem e vêm sendo usadas nos laboratórios e plantações de todo o mundo", afirma ela.

O relatório, co-redigido por dois cientistas especialistas em produção de arroz (Emerlito Borromeo, PhD em genética e Debal Deb, PhD em ecologia), examina os desafios actuais em relação ao produto, como as pragas e doenças, agrotóxicos e colheita. O texto destaca soluções cientificamente comprovadas, actualmente usadas por produtores de todo o mundo. "As soluções reais para assegurar uma produção sustentável de arroz já existem em fazendas ao redor do mundo. Essas soluções baseadas no conhecimento tradicional das comunidades, quando combinadas com tecnologia de ponta, são muito mais confiáveis e aceitáveis do que a destrutiva agricultura industrial e imprecisa engenharia genética", afirmou Nammalwar, um conhecido cientista da Índia especializado em agricultura orgânica.

Fazendeiros, moleiros e comerciantes de várias partes do mundo estão a enfrentar grandes despesas financeiras como resultado da contaminação das provisões de arroz. Nesse custo inclui-se também testes e recall de produtos, cancelamento de pedidos, proibição de importação, danos à imagem e desconfiança do público consumidor, prejuízos que podem durar anos.

"Os campos de testes de arroz geneticamente modificado ameaçam tanto a integridade da variedade do produto como os benefícios económicos de se produzir arroz não-transgénico. Ao tomar a frente no desenvolvimento de provisões de arroz não-transgénico sustentáveis e de longo prazo, o governo indiano pode tornar-se líder mundial no sector, com benefícios directos para a economia indiana, produtores e comerciantes de arroz, e biliões de pessoas que dependem do arroz como alimento básico", afirmou Divya Raghunandan.

"O arroz é um alimento muito importante para o mundo e não se deve fazer apostas com ele. Existem catualmente cerca de 140 mil variedades diferentes de arroz no mundo, uma diversidade enorme que inclui espécies resistentes a diferentes pragas e doenças, e capacidade de crescer em condições adversas. Não precisamos de transgénicos para se obter vantagens dessas variedades - precisamos é preservar esse recurso natural e esse conhecimento, e combiná-los com técnicas avançadas de criação", disse Divya. "Governos e institutos de pesquisa de todo o mundo têm que abandonar os campos de testes de engenharia genética e focar as suas energias, e também os seus orçamentos de pesquisa, em soluções sustentáveis para proteger a produção global de arroz."

(Envolverde/Greenpeace)