Comentário sobre a OTA e os TGV
24-Abr-2007

aeroportotgvA utilização admitida pelo ministro Mário Lino de aeroportos militares, nomeadamente do do Montijo, para receberem voos civis, afastando assim por uns anos a saturação do aeroporto da Portela, parece ser uma medida inteiramente acertada.

Artigo de António Brotas.

A nossa Força Aérea, que assegurou recentemente a segurança e o funcionamento do aeroporto de Cabul no Afeganistão aberto ao trânsito civil e militar, parece vocacionada para futuras actuações internacionais do mesmo tipo. Porque não habituar-se em Portugal ao contacto com civis? A base das Lajes da Força Aérea, nos Açores, é utilizada por aviões civis e militares. Porque não fazer o mesmo no Continente? Aparentemente, basta um protocolo de acordo entre o Ministério da Defesa e o MOPTC.

O aeroporto do Montijo é uma base militar actualmente com um movimento muito reduzido. Foi, ou está em vias de ser transferido para lá o "aeroporto" do Figo Maduro, que é uma simples zona do aeroporto da Portela até agora reservada para voos militares e oficiais. É perfeitamente possível, com custos mínimos, transferir para lá parte dos voos "low cost" que actualmente sobrecarregam a Portela.

Mas, atenção. A prevista ponte para o Barreiro, que atravessa o Tejo no enfiamento da pista principal do Montijo, pode inviabilizar ou, pelo menos, reduzir significativamente a segurança deste aeroporto.

Nos planos do MOPTC esta ponte, destinada fundamentalmente aos comboios para Badajoz e para o Algarve, deve ser completada por uma outra entrada a Norte de Lisboa para os TGV para o Porto. Os dois projectos têm custos financeiros e ambientais elevadíssimos. Há assim que estudar com muito cuidado o modo de travessia do Tejo e as entradas dos TGVs em Lisboa. Estes assuntos, que foram ignorados nas últimas eleições autárquicas, serão certamente temas centrais nas próximas.

E entretanto, o que é que vamos fazer?

Podemos, desde já, dar grande prioridade à construção da linha TGV mista (para passageiros e mercadorias) de Badajoz ao Pinhal Novo, particularmente barata e fácil de construir.

Com esta linha construída, fica assegurada a ligação à rede ferroviária europeia da futura Plataforma Logística do Poceirão e das indústrias da Península de Setúbal, o que é fundamental para a sua sobrevivência. O trânsito de passageiros de Madrid a Lisboa fica também assegurado em condições muito razoáveis. E ficamos com tempo para estudar seriamente a localização do NAL e o modo dos TGVs atravessarem o Tejo.

António Brotas

Professor Catedrático Jubilado do IST