Amnistia denuncia Islamabad por sequestrar centenas
25-Mai-2007
guantanamoEntidade de direitos humanos acusa o país, aliado dos EUA na "guerra contra o terrorismo", de prender e interrogar sem acusações, em colaboração com americanos. Muitos são entregues aos EUA e levados para a base militar de Guantánamo, em Cuba, ou para centros secretos de detenção.

Da Agência Reuters, publicada originalmente na Folha de S. Paulo (29/9/2006)

O Paquistão já sequestrou centenas de pessoas como parte da "guerra ao terror" liderada pelos EUA, de acordo com um relatório da Amnistia Internacional.

É frequente que os capturados sejam mantidos presos por meses para interrogatório. Muitos são entregues aos EUA e levados para a base militar de Guantánamo, em Cuba, ou para centros secretos de detenção, diz o texto sobre "desaparecimentos forçados na guerra contra o terror".

Segundo a Amnistia, é comum ainda que agentes americanos paguem em torno de 5.000 dólares para que colegas paquistaneses declarem alguém terrorista, o capturem e o mantenham preso sem um processo legal.

"Desaparecimentos forçados eram quase desconhecidos no Paquistão até o início da guerra contra o terror. Agora, são um fenómeno crescente, que se espalha entre os suspeitos de terrorismo", disse a pesquisadora da entidade Angelika Pathak.

A Amnistia afirma que, pela natureza clandestina da "guerra ao terror", é impossível saber o número exacto de pessoas sequestradas, torturadas ou mortas ilegalmente por forças paquistanesas, mas que "chega a centenas". Um parâmetro para a entidade é a declaração de um general paquistanês em Junho, estimando em 500 os terroristas mortos e em mil os detidos desde 2001, quando os EUA atacaram o Afeganistão em reacção ao 11 de Setembro e passaram a ter o Paquistão como aliado na luta contra o terror.

Um caso relatado pela Amnistia é o das irmãs Arifa e Saba Baloch e da sogra da primeira, Gul Hamdana, presas em Junho de 2005. O governo paquistanês nega que as tenha detido. Hamdana foi solta em outro local três meses depois, enquanto as irmãs foram libertadas em Janeiro deste ano. Não houve acusações formais contra elas.

A entidade diz que há relatos de que forças americanas também se envolvem em detenções no Paquistão, acompanham torturas e até participam delas.

Após passagem pelos EUA, o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, reuniu-se no Reino Unido com o primeiro-ministro Tony Blair. No encontro, Blair disse que o relatório de um agente de inteligência britânico divulgado pela BBC, acusando o serviço secreto paquistanês de apoiar indirectamente os Taliban, não reflecte a posição do seu governo.