Gestnave: E o Ministro da Economia?
03-Jan-2008
Mariana AivecaDia 28 de Dezembro ás 11h da manhã, uma hora depois dos 209 trabalhadores da Gestnave e Erecta se terem reunido em assembleia-geral, o administrador fazia saber que" a partir do dia 2 de Janeiro não haveria mais trabalho ".

Foi assim, em vésperas de Ano Novo, que chegou o "recado" anunciando mais um Ano cheio de dificuldades, ensombrado pelo desemprego, pela desesperança, onde as lembranças das bandeiras negras dos anos 90 se avivam na memória daqueles homens e mulheres que fazem parte de uma geração que ousou lutar por um futuro melhor.

Foi um comunicado revelador da arrogância de quem tem o Governo na mão, o Ministro da Economia mudo e quedo, e, isso permite-lhe não honrar compromissos que, em 1997 foram assumidos pelo Estado e o grupo Mello, onde se previa a extinção da Gestnave e a integração dos trabalhadores nos quadros da Lisnave.

E o comunicado cumpriu-se. Dia 2 de Janeiro todos os 209 trabalhadores foram colocados numa secção sem qualquer tarefa.

Que arrogância é esta que permite tratar como lixo os trabalhadores e trabalhadoras que durante mais de trinta anos contribuíram para fazer daquele estaleiro orgulho de Setúbal e do país e, que nos últimos anos engordaram com elevados lucros?

O estaleiro da Mitrena continua a sua actividade com mão-de-obra barata e qualificada que é fretada em países onde os direitos são ainda mais precários e os salários são ainda mais baixos, que chegam para fazer uma empreitada e são despachados rapidamente não lhes vá passar pela cabeça querer ficar em Portugal.

Os contratos são na sua maioria temporários porque os interesses da Selet/Vedior ou da Multipessoal têm que estar acautelados. Este flagelo do trabalho temporário, que afinal é permanente não atinge só a "geração 500 euros" também é oferecido à geração de Abril como prémio pelos serviços prestados.

Esta geração de Abril também é uma geração "à rasca" nova demais para a reforma velha demais para trabalhar. É a geração a quem querem vender o envelhecimento activo mas, afinal de contas colocam-nos em inactividade.

É a esta geração a quem falam de sustentabilidade da Segurança Social mas afinal pressionam para que rescindam os contratos, que vão para o desemprego e a seguir para a pré-reforma. Foi isto que o Governo "ofereceu" aos trabalhadores da Gestnave e Erecta. Indemnizações acima da média para zarparem e, quem primeiro as pedisse maior era o beneficio.

A isto o ministro do Trabalho não se opõe porque desistiu do combate ao desemprego, porque se adaptou sem nenhuma dificuldade ás pressões da capital.

E o ministro da Economia? Será que ainda faz parte do Governo?

Mariana Aiveca