Critérios diferenciados de sacrifícios
01-Dez-2008
A actual crise de confiança no papel do Banco de Portugal, como Autoridade de supervisão de operações financeiras ao nível do sistema bancário, despoletada com o caso BPN, traz à memória dos portugueses os critérios diferenciados de apelos incessantes ao "apertar do cinto" protagonizados por Vítor Constâncio.
Opinião de José Lopes

Com a sua autoridade, Constâncio tem ajudado a impor ao país, mensagens de alertas "vermelhos", influenciando com particular incidência o governo de Sócrates, a não ser sensível nas políticas sociais.

O fantasma do défice, repetido até á exaustão, serviu para justificar e avalizar todas as politicas de ataque aos serviços públicos, ao seu desmembramento e descrédito, ao corte de direitos sociais, ao congelamento salarial e ás medidas economicistas em sectores como a saúde ou educação.

Neste capítulo o Banco de Portugal mostrou-se demasiado eficiente e exigente no "equilíbrio" das contas públicas. Mas estranhamente, todo este rigor e sacrifício para as famílias, aconteceu em simultâneo com a inacreditável passividade desta mesma Instituição, para com o descalabro do BPN, cujos critérios de disciplina nas contas do banco e dos negócios escandalosos, deixaram transparecer descarado facilitismo para o capital, contrastando com os repetidos alertas de sacrifícios e mais sacrifícios aos trabalhadores.

José Lopes (Ovar)