A feira dos engajadores
17-Dez-2008
Há um século, era normal em muitas actividades que houvesse uma fila de trabalhadores, de madrugada, à espera de ser escolhidos, para esse dia de trabalho, pelo engajador. Passaram 100 anos. E levamos, para nossa desdita, com o governo do engenheiro.
Neo-liberal de quatro costados, a coberto do nome "socialista", este governo fabricou leis de trabalho, de trabalho temporário, e de trabalho na função pública que os seus antecessores cavaquistas e barrosistas nunca conseguiram impor. O PS de Sócrates fez o trabalho da direita, melhor do que essa mesma direita foi capaz. E o mercado de trabalho voltou a ser a feira dos engajadores.
Opinião de José Pedro Fernandes

Voltamos a ter como regra e não como excepção dois tipos de trabalhadores: os que ganham 14 meses e têm alguma estabilidade de emprego (muito embora pressionados para sair) e os que ganham 12 meses, ganham mal, pagam ao engajador um tanto,  e não sabem o que lhes vai acontecer no mês seguinte.

E para as empresas tudo passou a poder ser trabalho temporário: o correio tem de ser distribuído todos os dias, mas pode haver um dia sem correio, é trabalho temporário; os camiões têm de ser carregados todos os dias, mas pode haver um dia sem carga, é trabalho temporário. Etc, etc....

Disse há dias o engenheiro que enquanto governassem e os outros criticassem, as coisas estavam bem. É verdade: para empresários e engajadores ("vitalinos") as coisas vão bem. Esse é o cerne da questão: as coisas vão bem para quem? A resposta a isso separa a direita da esquerda.

Se o delírio barroso-socrateiro for levado às últimas consequências, ainda veremos secretários de estado a serem contratados à semana!

Só uma coisinha parece não estar a correr bem: as manifestações são cada vez maiores, as notícias da Grécia (outro paraíso neo-liberal) dizem-nos mesmo que as coisas vão endurecer, um pouco por todo o lado, porque o que está em causa é ver quem vai pagar a factura da crise, e a esquerda começa a encarnar a esperança de muita gente.

Cá se fazem, cá se pagam, engenheiro! Vamos a isso!

José Pedro Fernandes

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