Olhar diferente e clarividente
09-Jan-2009
Felizmente que a lucidez sobre o que está verdadeiramente em causa na falta de entendimento entre professores e Ministério da Educação nos proporcionam "olhares diferentes" como o do Padre Amadeu Pinto, director do Colégio São João de Brito (Notícias Magazine em 14 de Dezembro). É que perante tanta teimosia que se apoderou não só da Ministra e sua equipa, mas do próprio primeiro-ministro, José Sócrates, não haverá dúvidas, como alerta o Padre Amadeu, que, "A manter-se a situação, o ano lectivo é para esquecer. É mais um pernicioso contributo, entre outros, para a hipoteca da sociedade portuguesa de amanhã".
Opinião de José Lopes.

Uma realidade já reconhecida em meio escolar perante o desgaste de uma luta contra a intolerância, que curiosamente a Conferencia Episcopal Portuguesa, classifica o polémico modelo de avaliação de desempenho dos professores, como uma medida "sustentada em trabalhos técnicos de gabinete" ou seja, como afirma com clarividência, Amadeu Pinto, "imposta por decretos regulamentados ao infinito, como é próprio de quem manda por ter poder, e não tanto pela razão que lhe assiste". Mas o cronista deste "olhar diferente" toca numa questão fundamental desta luta, como é o facto de o Ministério ignorar, neste processo, que, se "deve valorizar a diversidade de escolas e contextos", não desprezando, como todos os responsáveis por este tipo de política e modelo estão a desprezar objectivamente a liberdade de actuação dos professores, cada vez mais manietados a lógicas de produção em série, inaceitáveis na educação, pois como diz ainda, "a falta de liberdade e autonomia desresponsabiliza-os e aniquila-lhes a criatividade indispensável à missão educativa" a que têm de saber responder, embora a tendência de tais politicas educativas sejam para desvalorizar o "inesperado" que o Padre Amadeu refere, "no saber acudir ao inesperado que há em cada aluno em formação, como pessoa, sendo que todos são diferentes e hão-de ser tratados consoante". Assim esta convicção se estenda á sociedade, como uma componente decisiva na Educação e na humanização do meio escolar.

Que se reproduzam estes "olhares diferentes", porque da tutela não surgem sinais de os querer entender, mesmo com uma sociedade mais desperta para a realidade das consequências de um modelo absurdo, elaborado essencialmente para afrontar e dividir uma classe profissional, que reagiu unindo-se, mas que teimosamente o ME não quer compreender, falhada que foi a estratégia de desprestigiar os docentes perante a sociedade, que, depois de alguma passividade e até aceitação, começa finalmente a reagir e a reconhecer as razões de tanta teimosia.

José Lopes (Ovar)