Pobreza e precariedade
08-Dez-2008
Daniel BernardinoEm Portugal, entre os anos 1998 e 2008, a precariedade e a pobreza atingiram uma quantidade assustadora de pessoas. No ano de 2008 atingimos, nos trabalhadores por conta de outrem, 20,3% de trabalhadores em condições de trabalho precárias, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

No que respeita à pobreza temos em Portugal 2 milhões de pobres, ou seja, 20% dos Portugueses são pobres (In"um olhar sobre a pobreza", Costa, Alfredo Bruto da, 2008,)

As políticas seguidas no nosso país, nos últimos dez anos, pelos dois partidos que alternadamente nos têm governado, contribuíram e continuam a contribuir para que a situação não melhore.

Não serão as novas oportunidades, ou os novos modelos de avaliação dos professores que mudarão o cenário, muito menos o novo código de trabalho. São as políticas e as mentalidades das pessoas que nos governam que têm de mudar.

Esta semana foi notícia que o número de pessoas a pedirem alimentos e a ir às misericórdias tem aumentado exponencialmente, o que vem confirmando que cada vez mais existem mais e novos pobres, que perdem a vergonha e se assumem na sociedade oculta em que vivemos. Não é vergonha ser pobre, o que é vergonha é que o país seja cada vez mais pobre e não exista a solidariedade que se exige para resolver estes problemas, que são mais importantes que resolver insolvências de instituições bancárias.

A ligação entre condições de trabalho e pobreza está intimamente ligada, pois a maior parte dos trabalhadores tem nos seus rendimentos a sua sobrevivência.

Estamos em tempo de nos interrogarmos: é esta a pobreza e as condições de trabalho que queremos para todos?

A pobreza, a miséria e a precariedade não se cuidam com ternura, com amor, dedicação e com espírito natalício, mas sim com políticas diferentes ao longo dos anos. Certamente é injusto dizer isto de todos aqueles que trabalham contra a pobreza, obviamente que uma maior solidariedade ajuda, mas não seremos cada vez menos pessoas a conseguir ser solidárias?

A pobreza e a precariedade são persistentes e galopantes, as medidas para as combater urgem. Esta é a globalização que não pretendíamos ter, mas que se instalou e vai, certamente, fazer mais pobres, mais trabalhadores precários e mais desempregados.

Estamos mais vulneráveis à pobreza. Muitos dos que têm aumentado as suas qualificações podem testemunhar com a sua condição precária. Trata-se de um sistema em que o capitalismo vence a humanidade porque terá sempre o apoio dos governos numa globalização sem regras e sem respeito pela humanidade.

Nascemos, morremos e deixamos as nossas marcas sejam para melhorar as nossas condições sociais e humanas ou não, cabe-nos, enquanto por este mundo andamos, salvar a humanidade!

Daniel Bernardino

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